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"Todo o homem honesto deveria tornar-se filósofo, sem se vangloriar em sê-lo." (Voltairé)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma espécie em extinção: os cristãos. (Parte 2)



Dando continuidade ao texto anterior, onde introduzi o tema à ser tratado nas próximas postagens, destacando algumas palavras de Liev Tolstói, o nada famoso (infelizmente) escritor russo, proponho à vocês leitores que juntos, continuemos à observar as palavras de Tolstói e sua leitura frente ao que vieram a oficializar como “Cristianismo”, mas que em nada se assemelha às ações efetuadas pelo simples e humilde Cristo que dizem as atuais e históricas vertentes cristãs basearem a sua pregação.
Um dos pontos evidenciados por Tolstói em sua obra O Reino de Deus está em vós que gostaria de trabalhar, esta presente no capítulo 2 da mesma, intitulado Opiniões dos fiéis e dos livres pensadores sobre a não resistência ao mal por meio da violência. Este ponto trata de um problema não muito novo, muito menos incomum, tanto entre os seguidores de Cristo como entre os livres pensadores do cotidiano e das relações humanas. O problema tratado aqui por Tolstói é o da justificativa do uso da violência por conta de uma possível “extinção dos bons”. E, para tratar dessa questão, Tolstói cita um homem por demais influente no que diz respeito à formação do cristianismo como conhecemos hoje. O apelidado “boca dourada” (e veremos mais adiante o porque deste título): João Crisóstomo.
Vejamos a seguinte fala de Tolstói, onde ele aponta tal justificativa como a segunda entre as cinco mais usadas pelos cristãos ao longo da história para fazerem uso da violência:

“O segundo meio — um pouco menos grosseiro — consiste em reconhecer que o Cristo ensinava, é verdade, a dar a face e o manto, e que esta é, realmente, uma elevada moral..., mas... uma vez que, sobre a terra, existe um grande número de malfeitores, é preciso mantê-los pela força, para que não se veja perecerem os bons e até mesmo o mundo inteiro. Encontrei pela primeira vez este argumento em São João Crisóstomo e demonstro sua falsidade em meu livro A minha religião.
Este argumento não tem valor porque, se nos permitimos declarar, não importa quem, um malfeitor fora-da-lei, destruímos toda a doutrina cristã segundo a qual somos todos iguais e irmãos, na qualidade de filhos de um só Pai Celeste. E mais, ainda que Deus houvesse permitido a violência contra os malfeitores, sendo impossível determinar de modo absolutamente certo a distinção entre o malfeitor e aquele que não é, aconteceria que os homens e a sociedade se considerariam mutuamente malfeitores: coisa que hoje existe. Enfim, supondo que fosse possível distinguir com segurança um malfeitor daquele que não é, não se poderia encarcerá-lo, torturá-lo e condená-lo à morte numa sociedade cristã, porque não haveria nela ninguém para cometer tais atos, sendo qualquer violência proibida ao cristão.”
Tolstoi, Liev. O reino de Deus está em vós. Best Bolso. Rio de Janeiro, 2011, p.41.

Ora, devo admitir que a elucidação de Tolstoi frente ao que o cristianismo contemporâneo prega é perfeita. Tal justificativa não é, e nem pode ser reconhecida como pautada nos preceitos e na prática de Cristo. Observamos ao longo dos relatos do Novo Testamento diversas passagens, além do chamado “Sermão do Monte” (que até o século XVI não tinha este título, mas isso é assunto pra outra oportunidade), em que Jesus condena seus próprios seguidores por pensarem ser a violência uma arma a ser utilizada em prol da justiça entre os homens. Vejamos o seguinte relato do livro de João:


“Tendo Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos.

E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos.
Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas.
Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?
Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava com eles.
Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram, e caíram por terra.
Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno.
Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes;
Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi.
Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.
Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?
Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.”

Texto extraído da Bíblia Sagrada versão João Ferreira de  Almeida corrigida e revisada fiel. Livro de João, cap 18, vers 1 – 12.

Preciso dizer que a apologia ao uso da violência feita por homens como “São” João Crisóstomo contradizem as palavras e a prática de Cristo? Gostaria de propor à vocês leitores uma reflexão frente às diversas justificativas para o uso da violência, dentre elas a citada anteriormente por Tolstoi. Na próxima postagem tentarei abordar para uma melhor compreensão de todos a figura de João Crisóstomo. Quem foi tal personagem e como o mesmo influenciou o atual cristianismo, seja ele católico apostólico romano ou protestante de qualquer vertente.
Grato à todos pela atenção que tem tido para com este espaço nos últimos dias. Um agradecimento em especial aos amigos Marcílio P. Mendes (mais conhecido como Júnior), Railton Guedes e Vento Suzano Farias Lima, que têm trabalhado para proporcionar à pessoas como eu, leituras que ajudem à compreendermos melhor ás palavras de Cristo.

6 comentários:

  1. O ensinamento de Jesus é claro, "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra." Lc 6:29 Não há nenhum argumento para contornar esse ensinamento.
    Ótimo texto :)

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  2. Legal Leticia! Penso como vc, e irei tratar bastante deste assunto aqui! Obrigado pelo comentário!

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  3. As vezes as coisas são tão Simples, pq precisamos rodar erodar para cair no mesmo lugar? O Amor é a não violencia extrema, pq negar isso e escondelo atrás de nossas intepretações? Tamo Junto Mano

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  4. Mc 9:50 - "O sal é uma boa coisa; mas se ele se tornar insípido, com que lhe restituireis o sabor? Tende sal em vós e viveis em paz uns com os outros."
    Jesus quer que sejamos sal na vida das pessoas, ou seja, que sejamos luz, especialmente na vida daqueles que mais precisam renovar as esperanças, já que o mundo nos traz tantas desesperanças, com tanta miséria e violência.
    "Sede mansos e humildes de coração". Disse Jesus, o Rei da paz. Abraço, sobrinho!

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  5. é verdade, e como diz aquela musica "tudo o que foi conquistado de forma violenta só será mantido pela mesma violencia"
    faz até muito sentido se vc deve amar o proximo como a ti mesmo não usar de violencia com ele uma vez que vc tanbem não gostaria de sofrer a mesma né?

    e vlw ae peloagradecimento, embora eu ache que não merece, tenho certeza de que sou um hipocrita, não faço pelo cristianismo 90% do que podia e acredito que deveria fazer =/
    mas vamos seguindo pedindo sempre a purificação e a snatificação do espirito santo né? acredito que o real cristianismo é um processo sem volta, uma vez que a verdade vai sempre encomodar você

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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