Pensemos amigos...

REFLETIR, SOLUCIONAR, PENSAR, PROBLEMATIZAR...AGIR!!!!

"Todo o homem honesto deveria tornar-se filósofo, sem se vangloriar em sê-lo." (Voltairé)

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Evangelho no "jeitinho americano" do brasileiro.

   




É de relevante data que tenho buscado algumas respostas frente ao que tem significado para mim ser um "imitador' de Cristo nos dias de hoje e ao que vêm a ser um "cristão",  tentando entender se há conformidade entre as duas coisas. 

   Ao longo dos últimos dois anos e meio de minha jornada por esta confusa sociedade, tenho tentado refletir um pouco mais frente a causas tão relevantes ao nosso cotidiano e devo confessar que nada tem me despertado maior incômodo neste período do que aquilo que tem regido a minha vida, de particular modo, e também regido o curso de mais da metade das vidas presentes neste planeta, que é a fé cristã.

   A apenas algumas horas atrás tive o prazer de apreciar um nobre texto que por seu conteúdo contextualizador histórico/ideológico,  me fez ter alguma esperança de que esta reflexão frente ao que vem a ser   hoje o que os moradores de Antioquia no primeiro século da Igreja chamaram de "cristãos", tem sido feita por pessoas de grande influência na sociedade, dentre elas alguns religiosos.
   
   O texto intitulado "Deus nos livre de um Brasil evangélico", teve grande repercussão em nosso país nos últimos dias. Escrito e publicado pelo Pastor evangélico Ricardo Gondim no mês de fevereiro deste ano em seu site, o texto causou grande polêmica frente aos que se proclamam evangélicos no Brasil. Claro que não pretendo com esta  fala dar uma conotação de generalização no que diz respeito á opinião dos evangélicos deste país frente ao texto referido. Mas o fato é que, dos muitos comentários e críticas que vi frente ao texto de Gondim, a grande maioria dos mesmos  foi escrita de maneira negativa ao posicionamento de Gondim frente ao crescimento das igrejas evangélicas no Brasil. Boa parte destas criticas escritas por pastores e lideres de todo o tipo, das mais variadas denominações evangélicas.

   Gostaria de ressaltar que concordo com 99,9% com Gondim e com o conteúdo explícito em seu texto, mas uma parte em especial, gostaria de enfatizar. O autor, logo no primeiro parágrafo de seu texto diz: "Começo este texto com uns 15 anos de atraso". Entendo que a nação brasileira, nas duas últimas décadas, vem sendo bombardeada com uma teologia ao melhor estilo "American way of life", que popularmente conhecemos como "gospel". É fato indiscutível que, nas duas últimas decadas este "evangelho" gospel tem se tornado o carro forte do protestantismo em nosso país. Mas você pode estar se questionando:

   - Eu, como cristão, não deveria achar isto um progresso para o país ?

   Gostaria de propor uma reflexão sobre o evangelho que tem sido  apresentado ao país, que nada mais tem sido do que um 'jeitinho americano" que o brasileiro tem encontrado de ser cristão. Esse estilo que ouso chamar "American way of live' na teologia, tem influenciado muitas vertentes cristãs neste país, sejam elas de origem protestante pentecostal, neopentecostalpresbiteriana, batista, anglicana, metodista, adventista e pasmem, até mesmo católica apostólica romana.

   Com a finalidade de contribuir para a reflexão de vocês frente às questões apresentadas, sugiro a leitura do texto de Ricardo Gondim postado em seu site, e a observação do documentário indicado ao Oscar que tem por título "Jesus Camp", que esta disponibilizado no site "Youtube" e dividido em 9 partes..

Deixo aqui os links. Espero que se interessem pelas questões apresentadas.


Em breve, estarei escrevendo sobre ste documentário, dando continuidade ás questões tratadas neste texto. Assistam meus caros(as)!!!
Grato pela atenção de todos vocês. 

Um agradecimento em especial aos amigos Silas Fiorotti, que tem dado acesso ao conhecimento de alguns textos do Gondim por meio de seu espaço no Facebook e no blog 'Espiritualidade libertária", e Allan Santana, pela indicação do blog "Documentários de Verdade". Vocês são geniais!

domingo, 6 de março de 2011

Pecado não é o que você faz. Pecado é aquilo que você é.





A pouco tempo venho acompanhando o trabalho deste homem douto de conhecimento chamado Ed Rene Kivitz que, apesar de ser pastor, ganhou o meu respeito e minha admiração por olhar o Evangelho de uma forma contextualizada, tanto com a história como um todo, como com o atual cenário mundial frente ao que chamam de cristianismo, que por sinal, nada têm a ver com o próprio Cristo.


Uma das coisas que me chamou a atenção com relação à proposta de Evangelho que este rapaz evidencia em suas falas, foi o fato de,  em "sua" instituição cristã, terem á disposição para venda (por que nesse país nada é de graça (ainda)), livros como 'Anarquia e Cristianismo" de Jacques Ellul e " Bacia das almas- Diário de um ex-dependente de Igreja", de Paulo Brabo. O que isso significa? Significa que este senhor, apesar de ser líder (pastor) de uma instituição evangélica, respeita e admira os quem vão na contramão da mesma hierarquia e cristianismo institucional que o mesmo faz parte. Isto em si ja faz "sua" instituição e sua liderança serem diferenciadas.

Fica aqui este vídeo para uma breve reflexão do que vem a ser o pecado, e o que vem a ser ética e moral. Um assunto quase não discutido pelos cristãos institucionais.

Paz e Sabedoria a todos!



sábado, 5 de março de 2011

Carnaval: Época de reflexão, não de alienação!




Carnaval, uma dura realidade em nosso país com a qual somos praticamente obrigados a conviver.  Não tem pra onde fugir.  Não temos como não "participar", visto que onde vamos este é o assunto, seja na TV, no rádio, numa padaria, no trabalho e etc. Mais algumas pessoas fazem uso dessa época do ano  para refletirem sobre tais questões, com a finalidade de promoverem algo que acrescente a evolução intelectual da população de  nosso país,  tão centrada na busca pelo prazer momentâneo. Aliàs, essa concepção de prazer é bem subjetiva, principalmente no Brasil.

Achei por bem postar este vídeo, que se difere de tudo o que temos visto na mídia hoje (principalmente na mídia televisiva), no que diz respeito a carnaval. O que essa moça fez em seu programa na tv Tambaú na Paraíba, nos dá esperança em acreditar que ainda temos pessoas inteligentes e indiferentes quanto a audiência e repercussão  que podem conseguir por meio deste veículo tão importante e ao mesmo tempo perigoso que é a televisão.

Bom, já escrevi demais.

Deixo que vocês reflitam sobre a questão por meio do vídeo apresentado.

Em uma época em que os fanfarrões correm para a busca exacerbada do prazer, e que os "santos" se refugiam em seus retiros "espirituais", nada melhor dom que ver alguém que anda na contramão de tudo isto. E foi isto o que Rachel Sheherazade fez. 

Façamo ao menos algo parecido em nosso cotidiano.

Paz e Sabedoria!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O que você entende por Heresia?

"Onde a heresia não é mais possível, a novidade também é
uma impossibilidade. A palavra heresia significa
etimologicamente ‘uma escolha’, ‘uma opção’ ou ‘ser
colocado à parte’, mas ela também pode significar ‘conquista’,
‘captura’. A ironia nisso é que a ‘conquista’ européia ou
ocidental do mundo, a grande ‘heresia’, tornou-se a norma da
qual nenhum desvio era possível, nenhuma ‘anti-heresia’
seria permitida. A heresia tornou-se absoluta, normativa.
Espacialmente, o  eschaton tinha sido alcançado. O único
significado que sobrou para ser atribuído à palavra era um
significado exclusivamente temporal."



WESTHELLE, V. (2008), O Deus escandaloso: o uso e abuso da cruz.
São Leopoldo: Sinodal/EST. p.158

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Filosofando...


 Com o passar do tempo e as diversas experiências adquiridas (ainda que este tempo não seja um tempo tão considerável no que diz respeito a quantidade, e o mesmo se aplique as experiências),  tenho observado que existe um acúmulo que faz-se extremamente necessário na vida de um ser tão complexo e social, capaz de exteriorizar pensamentos e sentimentos como é o ser humano. Este acumulo nada mais é do que o acúmulo de troca de experiências adquiridas.


Claro que digo isto pensando que o ser que sente esta necessidade sente uma ansiedade por este acúmulo exatamente por pensar no progresso gerado pelo mesmo no que diz respeito a sua interferência sobre o todo, em outras palavras, no que isso pode contribuir  para o seu convívio social. Este indivíduo provavelmente estará deixando de pensar de uma maneira individual.

Partindo deste principio, concluo o quanto faz-se necessário o “viver em comunidade”. Uns chamam isso de congregar (os religiosos talvez). Outros de “pensar coletivamente”, ou “partido” , e assim por diante.

A convivência tem o poder de nos proporcionar uma visão de espelho, mas não um espelho qualquer, mas um espelho atemporal, além do presente, onde podemos ver além do quem vemos. As experiências adquiridas entre os diferentes indivíduos levam os mesmos a olhar um para o outro e ver uma pequena, ou uma grande parte de si, seja isto na perspectiva do ontem, do hoje ou do amanhã.

Convivendo aprendemos que erramos.
Convivendo aprendemos que podemos acertar.
O coletivo proporciona o levantar de uns aos outros frente as possíveis quedas tão naturais da vida humana, inacabada e experimental.

Vivamos coletivamente, independente das diferenças!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Cristão capitalista? - Parte 3


Dando continuidade ao assunto em questão, tentarei oferecer a partir da fala de Allen, (como havia dito anteriormente), um texto tão mais informativo quanto critico, tendo por finalidade oferecer ao leitor do mesmo, as devidas informações para que possa compreender melhor de que  forma e porque o cristianismo contemporâneo, principalmente o que tem sido praticado pelas denominações de cunho ideológico protestante, está tão ligado às concepções de bases econômicas capitalistas.
Sabemos que os Estados Unidos da América ocupam uma extensa região central do continente americano. Sabemos também que a América do Norte, em conseqüência até mesmo das questões geográficas, há muito tempo tem sido dominada física, econômica e politicamente pelos Estados Unidos da América. Bem sabemos também que este imenso território, veio a ser “descoberto” pelos europeus por motivos de natureza econômica. Trataremos melhor desta última questão daqui adiante.
  Devemos levar sempre em consideração que na América do Norte, mais precisamente na região que conhecemos hoje como os Estados Unidos da América, a colonização se deu de maneira diferente dos demais países americanos. Os ingleses que habitavam as terras norte-americanas tinham por intento o investimento nas novas terras, e o desenvolvimento em todos os aspectos possíveis e imagináveis da nação que viria a surgir. É importante observarmos que os europeus que se deslocavam para a América do Norte levavam consigo a idéia de que todo este processo de “descobrimento”, colonização e desenvolvimento econômico nas novas terras era verdadeiramente uma providência divina. Podemos exemplificar isto em uma das falas do pensador francês Alexis de Tocqueville citada por Allen. Vejamos:

“Este gradual e contínuo movimento da raça européia em direção às Montanhas Rochosas tem a solenidade de um evento providencial. É como que um dilúvio de homens, caindo e levantando-se invencíveis, conduzidos diariamente pela mão de Deus.”
ALLEN, Harry C. História dos Estados Unidos da América,1968, p. 11.


É importante entendermos o que levou os ingleses a deixarem seus lares na Inglaterra. O que de fato levou-os a enfrentarem os riscos de uma longa e árdua viagem à terras desconhecidas? O fato é que o grande empurrão para que os ingleses enfrentassem todos estes problemas e abandonassem seus lares, está no momento de dificuldades econômicas e de superpopulação que passava a Inglaterra. Além disso, o país passava por momentos angustiantes de intolerância religiosa e de lutas políticas. O desejo de viver suas próprias crenças era iminente no coração dos ingleses contemporâneos aos fatos citados anteriormente e viram nas terras norte-americanas uma grande oportunidade oferecida por Deus para a realização deste sonho. Logo creram que, sendo a América do Norte escape para os problemas decorrentes do seu país, o continente americano  era um grande sinal de que a benção de Deus e  sua aprovação se faziam presentes. Talvez disto possamos entender a frase:
- Que Deus abençoe a América!

Continua...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cristão capitalista? - Parte 2

A principio, gostaria de desculpar-me com muitos que vem acompanhando minhas postagens e que tem me cobrado de alguma maneira a  continuidade da postagem “Cristão capitalista – parte 1”. Confesso que formular todas as questões sobre tão considerável tema não tem sido uma tarefa das mais fáceis, e tem exigido de mim um esforço a mais no que diz respeito à administração de meu tão precioso tempo (óh moço ocupado esse que vos fala) para dedicação aos tetos que precedem essa discussão. Resumindo: perdão pela demora... hehe.
Dando continuidade ao que foi proposto na primeira parte deste estudo, gostaria de considerar que tudo o que vem  a ser destrinchado aqui está completamente  aberto para discussões e idéias que possam vir a acrescentar para uma melhor compreensão de todos quanto ao assunto em questão.
Como dito anteriormente,  cresci ouvindo diversas falas que, se analisadas sem um mínimo entendimento do que vem a ser o sistema e a ideologia capitalista e como esta ideologia está sobremaneira enraizada na sociedade cristã contemporânea, principalmente na vertente evangélico/protestante, não é possível notar qualquer problema nesse tipo de  falas. Posso dizer ainda mais. Tais falas soam como a perfeita interpretação das Escrituras, dando alento confortabilíssimo para o aflito ouvinte, que está se dento por ouvir algo que lhe encha de esperança com relação  a sociedade que vive e a sua situação econômica particular em específico.
Comecei a entender que a Reforma protestante contribuiu por demais para a disseminação do que é a idéia de acumulo, a partir do momento que tive acesso a textos relacionados à colonização dos povos norte-americanos. As diferentes fontes de pesquisa apontam para um mesmo sentido: o de que a ocupação das terras norte-americanas teve como base a ideologia de “oportunidade” a ser aproveitada pelos colonizadores nas novas terras. Os estudos apontam para a idéia de que a colonização por parte dos ingleses se diferenciou em muito  da colonização por parte de portugueses ou europeus, e que esta diferença  está sobremaneira ligada às intenções religiosas.
Para demonstrar a relevância do que acabo de citar anteriormente, gostaria de evidenciar o que diz o professor da ULC (University College of London), Harry C. Allen sobre toda está ideologia ligada às questões religiosas. Vejamos o que ele diz sobre a diferença prática dos colonizadores ingleses para com os espanhóis e portugueses:

...Fosse ele mercador da Nova Inglaterra ou aristocrático senhor de Terras no Sul, era economicamente ambicioso, prático, e pragmático: aquele que conquista desertos jamais esquece que a primeira necessidade da vida é ganhar o pão com o suor do rosto. E ainda que crente e frequentador da igreja, não considerava tais traços como incompatíveis com a aquisição de tesouros da terra. Talvez mais do que ninguém, o americano exemplificou a associação do protestantismo com a ascenção do capitalismo.
ALLEN, Harry C. História dos Estados Unidos da América,1968, p. 27.

 Mais adiante continuaremos a discutir essa questão a partir desta fala de Allen. Até a próxima!
Continua...

(Se você gostou desta postagem, leia também "Cristão  capitalista - parte  1" http://dennisportell.blogspot.com/2010/11/cristao-capitalista-parte-1.html)